Todos iremos envelhecer

O avanço da idade é inevitável. O processo pode ser mais avançado para um e menos para outros, mas todos iremos envelhecer. Já percebeu que algumas pessoas parecem mais velhas do que outras, mesmo tendo a mesma idade? Claro que todos querem prolongar a juventude o máximo que podem, mas como isso é possível? O segredo está nos hábitos. Veja o que você faz todos os dias e repare se os seus hábitos lhe ajudam a envelhecer com saúde e parecer mais jovem do que realmente é, como:

Cair em tentação na alimentação. Dormir demais. Não amar a si mesmo. Problemas com álcool. Não perdoar. Ser antissocial. Exercícios por obrigação.  Ser sério demais.

A idade pode trazer aquela melancolia, aquela tristeza… Mas não é sua culpa, certo? Então por que deixar tomar conta? Um dos principais fatores que envelhecem mais as pessoas é o mau humor, a tristeza. Remova isso de sua vida e substitua por um sorriso. Não leve tudo tão a sério, nem carregue nas costas os problemas dos outros. Lembre-se de ser otimista o tempo todo. Quanto mais otimismo tiver, mais jovial será. Onde quer que esteja, nunca perca a oportunidade de dar uma enorme gargalhada!

O poeta Mário Quintana disse: “A vida… é um dever que trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê já são seis horas há tempos… Quando se vê já é sexta-feira… Quando se vê passaram 60 anos!”

Uma repórter da Folha de São Paulo, entrevistando um idoso a ele perguntou: Qual o seu maior mal? Ele respondeu. A solidão.

O que é solidão?

Do latim sol?tas, a solidão é a falta de companhia. Essa falta ou carência pode ser voluntária ou involuntária. A solidão, por conseguinte, implica a falta de contato com outras pessoas. Trata-se de um sentimento ou estado subjetivo, tendo em conta que existem diferentes graus ou matizes de solidão podendo ser encarados de diferentes formas dependendo da pessoa.

Clarice Lispector disse: “Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”. Clarice se sentia fortalecida, precisava ficar só, com certeza era para escrever ou se enganava por não ter outra saída.

Há quem diga que a solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. A solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa não porque simplesmente se isola, mas porque os seus sentimentos precisam de algo novo que as transforme. Solidão não é o mesmo que estar desacompanhado. Muitas pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo.

Enfoquemos então aquele mal respondido à repórter. O idoso e a solidão.

A terceira idade ou melhor idade, reassumiu um papel importante na sociedade tendo em conta a perda do importante papel social que os “mais velhos” outrora usufruíram e que na sociedade atual deixaram de ter. O Idoso, devido sua sabedoria e experiência de vida, era, no passado, uma pessoa respeitada e vocacionada para transmitir aos jovens os conhecimentos adquiridos ao longo de toda a vida.

Fácil é concluir que, no passado, o único meio de transmitir a experiência aos jovens era através dos “idosos”. Como na época não havia instituições ou escolas para o fazer, eram os mais velhos, os idosos, que desempenhavam o papel determinante na formação, e na transmissão das experiências e do conhecimento. Daí a sua importância social.

O aumento da longevidade, e as transformações sociais, econômicas e culturais sofridas após a revolução industrial, que se ficaram a dever ao desenvolvimento tecnológico e científico, levaram a uma organização social com uma maior especialização e a uma estratificação e segregação etária que atingiu, particularmente, a terceira idade.

Parte dos idosos passou a ser, para muitos, para sua própria família, um peso, um obstáculo, um encargo para a sociedade. Parte deles na atualidade, tornou-se uma população “poderosa”. Esta nova importância social que confere ao idoso poder, resulta de um conjunto de fatores: Econômicos; porque os seus consumos são mais elevados, especialmente no turismo e lamentavelmente, de medicamentos.  Cultural; pelos seus conhecimentos que em nada se assemelham com a situação existente no início do século. Aos 65 anos o idoso tem presentemente uma grande capacidade física e intelectual e fácil acesso à informação, fatores que facilitam a aquisição de conhecimentos e que, no futuro, se tenderão a aprofundar. Interventora; pela sua disponibilidade de tempo, o que lhes dá uma maior capacidade de intervenção social. Ética; por não ter nada a perder, hierarquias, cargos, privilégios ou carreiras. Social e Política; pelo seu número e as consequências que este tem nos atos eleitorais.

De acordo com cientistas, não estará longe do dia em que o “adulto envelhecido”, que hoje se situa a partir dos 60 anos, se esteja entre os 100 e os 130 anos.

A solidariedade entre gerações é determinante para o homem e para a sociedade. A solidariedade não pode ser encarada como mero respeito de uns para com os outros. A solidariedade tem muito a ver com a sobrevivência do homem e da sociedade. A terceira ou melhor idade não vai pretender compreensão, vai reivindicar participação. Mas pela sua cultura e ética vai, certamente, ser solidária com as outras faixas etárias.

Concluo de que deve haver um maior respeito por aqueles que nos legaram um vasto patrimônio familiar, amoroso, cultural que foram determinantes na educação de nossa geração.

Barbosa Nunes, advogado, ex–radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil – barbosanunes@terra.com.br