Em tempos de escândalo e desamor: Divaldo Franco e Chico Xavier

Escândalo é uma palavra proveniente do grego skandalon, e, segundo o Dicionário do Novo Testamento Grego, pode ser traduzida, dentre outras possibilidades, como “tropeço” ou “obstáculo”, no sentido de que um skandalon é tudo aquilo que faz alguém cair, tropeçar, ou que impede o avanço de seu crescimento ou aprendizado. Etimologicamente, o escândalo é algo que leva uma pessoa a tentação, e então a prejudica.

Seguindo este raciocínio, no contexto cristão, o escândalo é algo que leva uma pessoa a cair no pecado, tropeçar nos princípios da palavra, se desviar, ou que tem o poder de impedir que uma pessoa cresça em sabedoria, conhecimento e aprendizado cristão. Em resumo, é causa de erro, ou de pecado. Indignação provocada por mau exemplo. Desordem, tumulto. Grave acontecimento que abala a opinião pública. Fato imoral, revoltante.

Releio no presente momento, o livro “Jesus e o Evangelho – À luz da psicologia profunda”, Editora Leal, do espírito Joana de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco. Obra que sugiro como livro de cabeceira. O texto 9 da obra, página 63, intitulado “Escândalos”, é marcado em seu início, pela frase “Ai do mundo por causa dos escândalos”. S Mateus, cap, XVIII, v. 7. Pelas mãos de Divaldo, Joana de Ângelis diz:

“Tudo aquilo quanto violente o equilíbrio, o estabelecido, constitui um escândalo, uma irreverência atentatória contra ordem. Como consequência, os efeitos do ato danoso produzem ressonância, desarmonizando o indivíduo e, com ele, o grupo social, no qual se encontra situado”.

“Quase sempre o indivíduo mergulhado na sombra, no escândalo, de que tem dificuldades de se libertar, disfarça as imperfeições projetando a imagem irreal de um comportamento que está longe de possuir, mas que se torna, não raro, severo para com os demais e muito tolerante para com os próprios erros”.

“Para que os escândalos se tornem conhecidos, as criaturas se lhes tornam intermediárias, e é a essas que Jesus lamenta com severidade, porquanto estão escrevendo capítulo obscuro do seu porvir, no qual defrontarão os frutos apodrecidos das atitudes anteriores que ora lhes exigem recuperação. Como é sempre mais difícil reeducar, reparar e refazer, o discurso de advertência tem ajudado o indivíduo a poupar-se, mesmo que com austeridade, de muitos prazeres que são de natureza primária e perversa, do que os fruir e passar a viver sob o açodar da consciência intranquila e do coração angustiado”.

“Quando o indivíduo escandaliza, prescreve para si mesmo consequências lamentáveis, sendo conduzido a percorrer o caminho de volta com aqueles a quem feriu, ou enfrentando os acidentes morais que foram deixados no transcurso de seus atos”.

“Enquanto o ser humano não se liberta dos prejuízos morais a que se entrega, cabe o lamento do Mestre: Ai do mundo por causa dos escândalos, face aos infelizes efeitos que deles decorrem”.

Neste livro extraordinário, outras tantas meditações sobre o reino, a realeza, diversidade de moradas, renascimentos, paciência, reconciliação, julgamentos, egoísmo, vingança, ódio, beneficência, avareza, poder da fé, últimos e primeiros, mediunidade, espada e paz, cruzes, gratuidade do bem, pedir e conseguir e muitos outros.

No item 13, página 87, encontro um texto intitulado “Libertação pelo Amor”, com a afirmativa: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. S. Mateus, cap. XVII, v. 39. Ele delineia que toda a essência da vida encontra-se estabelecida no amor, que é de procedência divina e invariavelmente, surge como desejo inicial de compartir alegrias e repartir realizações.

Em tempos de uma sociedade que prega o amor e pratica o desamor, que é a falta de amor, desdém , desprezo, me inspiro e concluo transcrevendo o vídeo que me foi enviado por um irmão e amigo, quando de viva voz, Chico Xavier, assim falou sobre o amor:

“Se eu fosse alguém, se eu tivesse influência, se eu pudesse realizar alguma coisa em benefício da comunidade, e seu tivesse a menor autoridade para fazer isto, eu apenas repetiria, para mim mesmo e para todos os nossos irmãos em humanidade, de todas as terras e de todos os idiomas, aquelas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.

Porque amor é o esquecimento de si mesmo, porque amor, nada pedindo para si. O “Amai-vos uns aos outros” foi superado pelo “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Amar alguém ou alguma causa, sem pedir nada, sem esperar o pagamento, nem mesmo da compreensão da inteligência do próximo, então, é trabalhar pela humanidade mais feliz, por um mundo melhor, pela extinção das guerras, e pelo incentivo do progresso em bases morais, convenientes para que nós todos estejamos no melhor lugar possível, que possamos ocupar no campo da vida humana, servindo ao Pai, ao Criador, a nosso Senhor Jesus Cristo e a todos os princípios Cristãos, como Ele, e aos princípios mais nobres de outras religiões, para que com respeito mútuo possamos vencer todas as barreiras e amar como o amor deve ser consagrado entre nós”.

Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil – barbosanunes@terra.com.br