GRANDE ORIENTE DO BRASIL – 195 ANOS

O ano de 2017 marca um tempo de grandes conquistas para o Brasil, percorrido pela Maçonaria Brasileira. O Grande Oriente do Brasil, hoje e em dois últimos mandatos presidido pelo Grão-Mestre Geral Marcos José da Silva comemorará nos dias 15, 16 e 17 de junho, 195 anos de uma jornada iniciada em junho de 1822. Uma programação a altura de sua história acontecerá no Palácio Jair Assis Ribeiro, em Brasília, localizada na Avenida W-5, SGA – Sul, quadra 913, Conjunto H. Minha história maçônica é engrandecida por estar vivendo este momento no cargo de Grão-Mestre Geral Adjunto.

Constará de comemorações diversas. No dia 15 de junho sagrações dos templos “Igualdade”, “Liberdade” e “Fraternidade” e evento de abertura e recepção. 16 de junho, palestras e concerto musical. 17 de junho, Sessão Magna Comemorativa e Jantar de Gala. Em função de uma antecipação para convites, solicita-se que os maçons, cunhadas e sobrinhos acessem com antecedência através do endereço: www.gob.org.br/store

Vou ao livro “História do Grande Oriente do Brasil – A Maçonaria na História do Brasil”, do maçom e escritor José Castellani, e encontro: “Criado nas asas dos ideais emancipadores e libertários, que empolgavam os brasileiros nos primeiros anos do século XIX, o Grande Oriente do Brasil, a partir de três Lojas que lhe deram sustentação inicial e apesar de alguns percalços, não parou mais de crescer e de acolher homens de valor e de destaque nas letras, nas artes, nas ciências e nas armas do Brasil, os quais teriam atuação marcante em muitos episódios sociais e políticos do país, a ponto de se poder dizer, sem medo de errar, que não se pode escrever a história do Brasil independente, sem entrar na história do Grande Oriente do Brasil”.

“A história do Grande Oriente do Brasil gerada e traçada por seus membros, em todos os seus anos de existência, confunde-se com a própria história do Brasil, dos séculos XIX e XX, talvez os mais importantes para o país e cujos acontecimentos também foram gerados e traçados por muitos de seus membros, ou pelo próprio Grande Oriente, como instituição”.

Consta do livro referido, nas páginas 19, 20 e 21, transcrição e comentários da Ata de Fundação, “certidão de nascimento do Grande Oriente do Brasil. Obediência maçônica nacional e a primeira do território brasileiro, a qual iria, nos anos posteriores, ser partícipe dos grandes acontecimentos político-sociais da história do Brasil, começando, já no ano de sua fundação, com a fundamental participação do movimento pela emancipação política do Brasil. Os fundadores encerraram  a sessão, prometendo solenemente que o Grande Oriente teria, como meta específica de seus esforços, a independência do Brasil”.

A administração inicial do Grande Oriente do Brasil em 1822, foi constituída a partir do Grão-Mestre José Bonifácio de Andrada e Silva e integrada pelos irmãos Joaquim de Oliveira Alvarez, Joaquim Gonçalves Ledo, João Mendes Viana, Januário da Cunha Barbosa, Manoel José de Oliveira, Francisco das Chagas Ribeiro, Francisco Luiz Pereira da Nóbrega, João da Rocha e Joaquim José de Carvalho.

A ata registra, para que fosse fundado o Grande Oriente Brasílico, assim era seu título à época da fundação, a Loja “Comércio e Artes”, fundada em 1815, formou, por sorteio entre seus membros, mais duas Lojas “Esperança de Niterói” e “União e Tranquilidade”. Muito me honra em ter sido levado em alta distinção como membro honorário das três lojas fundadoras.

“A independência do Brasil era a meta específica dos fundadores do Grande Oriente e logo todos eles dedicaram-se a consegui-la, embora o processo emancipador nos meios maçônicos já tivesse sido iniciado antes de 17 de junho de 1822. Na realidade, o primeiro passo oficial dos maçons nesse sentido, foi o “Fico”, de 9 de janeiro, que representou desobediência aos decretos 124 e 125, das Cortes Gerais Portuguesas e que exigiam o imediato retorno do Príncipe a Portugal e a reversão do Brasil à sua condição colonial.”

Na representação de 24 de dezembro de 1821, José Bonifácio com virilidade assim escreveu à Altez a Real:

“É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de ser homens – e moralmente os paulistas – possam consentir em tais absurdos e despotismos… Vossa Alteza Real deve ficar no Brasil, quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes, não só para o nosso bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo. Se Vossa Alteza Real, estiver o que não é crível, deslumbrado pelo indecoroso decreto de 29 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno grupo de desorganizadores, terá que responder, perante o céu, pelo rio de sangue que, decerto, vai correr pelo Brasil com a sua ausência”.

José Castellani na apresentação do livro diz: “A história não para e nem o Grande Oriente do Brasil, obediência maçônica, quase continental, que colheu os primeiros vagidos da nascente maçonaria brasileira e os transformou nos brados viris que fizeram e fazem a nossa história”.

Concluo este artigo, com muita honra em estar nestes 195 anos como Grão-Mestre Geral Adjunto e registro os Grão-Mestres Gerais do GOB, desde José Bonifácio de Andrada e Silva até Marcos José da Silva, atual Grão-Mestre Geral.

José Bonifácio de Andrada e Silva, D. Pedro I , Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque, Miguel Calmon du Pin e Almeida, Luís Alves de Lima e Silva (Honorário), Bento da Silva Lisboa, Joaquim Marcelino de Brito, José Maria da Silva Paranhos, Francisco José Cardoso Júnior, Luís Antônio Vieira da Silva, João Batista Gonçalves Campos, Marechal Deodoro da Fonseca, Antonio Joaquim de Macedo Soares, Quintino Antônio Ferreira de Sousa Bocaiuva, Lauro Nina Sodré e Silva, Francisco Glicério de Cerqueira Leite, Nilo Procópio Peçanha, Mario Marinho de Carvalho Behring, Vicente Saraiva de Carvalho Neiva, João Severiano da Fonseca Hermes, Octávio Kelly, José Maria Moreira Guimarães, Joaquim Rodrigues Neves, Benjamin de Almeida Sodré, Cyro Werneck de Sousa e Silva, Álvaro Palmeira, Moacyr Arbex Dinamarco, Osmane Vieira de Resende, Osires Teixeira, Jair Assis Ribeiro, Enoc Almeida Vieira, Francisco Murilo Pinto, Laelso Rodrigues e Marcos José da Silva.

Este é o Grande Oriente do Brasil ao longo do seu tempo, de quase dois séculos, hoje integrado pelas mulheres nas Fraternidades Femininas, jovens na Ação Paramaçônica Juvenil, prevenção ao uso de drogas, no Programa Maçonaria a Favor da Vida – Contras as Drogas e na sua indignação com a corrupção, apoiando o Ministério Público, o Poder Judiciário, a Polícia Federal e clamando pela necessidade urgente de uma reforma política e eleitoral.

Barbosa Nunes, advogado, ex–radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil – barbosanunes@terra.com.br