Brasil Republicano

A maçonaria brasileira nasceu com o Brasil e esteve presente em todos os principais acontecimentos históricos que culminaram no País que hoje temos o prazer e a honra de vivermos. Assim sendo, não poderia ser diferente à sua participação decisiva na Proclamação da República.
A implantação de um Estado Republicano foi, sem dúvida, o fato histórico mais importante de nosso País e teve como líderes e idealizadores deste movimento, maçons ilustres que hoje estão nos nossos livros de História, tais como: Marechal Deodoro da Fonseca, Benjamim Constant, Ruy Barbosa, Campos Salles, Quintino Bocayuva, Prudente de Moraes, Silva Jardim e muitos outros.
Óbvio que a idéia Republicana é antiga no Brasil. Pois, a encontramos presente nos movimentos nacionais, como: na Guerra dos Mascates (1710), na Inconfidência Mineira (1788), na Revolução Pernambucana(1817), na Confederação do Equador(1824), na Sabinada(1837) e na Revolução Farroupilha(1835/1845).
Como vemos, o império Brasileiro estava desgastado e vagarosamente ruía-se. Sua queda começou em 1870, após a Guerra do Paraguai, onde, mesmo o Brasil saindo vitorioso daquela campanha, o Exército, seu principal agente, não foi devidamente valorizado, causando sérios descontentamento entre as tropas. De outro lado, a igreja, por sua vez, queria a liberdade, haja vista que se encontrava submetida à autoridade Imperial.
No entanto, o fato realmente relevante e principal que fez com que o Império perdesse a sua sustentação, foram as leis antiescravistas, defendidas fervorosamente nas ruas e nas Lojas Maçônicas Brasileiras. Leis como a do Ventre Livre(1871), dos Sexagenários(1885) e finalmente a Lei Áurea (1888).
Atentos a todos estes fatos, a Maçonaria, através de várias Lojas, soltaram manifestos contrários ao advento do Terceiro Reinado e enviaram a todas as Lojas Maçônicas do Brasil, para que tomassem conhecimento e que apoiassem esta causa. Mais uma vez a Maçonaria estava à frente para liderar um movimento democrático. Desta feita, em 10 de novembro de 1889, em uma reunião na casa do irmão maçom Benjamin Constant, onde compareceram os irmãos maçons Francisco Glicério e Campos Salles, os quais decidiram pela queda do Império. Benjamin Constant foi incumbido de persuadir D. Pedro II, já que este era muito afeiçoado ao Imperador.
Por fim, o Ir. Deodoro assumiu o comando do movimento e Proclamou a República, ocorrida no Rio de Janeiro, então capital do país, em 15 de novembro de 1.889, quando um grupo de militares, liderado pelo marechal Deodoro, depôs o imperador D. Pedro II, através de um golpe de estado. Dessa forma, o primeiro país lusófono a adotar um regime republicano de governo foi o Brasil.
No entanto, faz-se necessário aqui uma justiça ao Imperador D. Pedro II, um homem culto, ponderado, que contrariando a opinião pública, não lutou pelo trono, pois não queria ver derramado o sangue de brasileiros, demonstrando um alto sentimento altruísta e reconhecendo que para o Brasil este seria o seu novo e melhor destino. E em resposta à mensagem ao Novo Governo diz: “ À Vista da representação escrita que me foi entregue hoje, às 3 horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir, com toda a minha família, para a Europa, deixando esta Pátria, de nós tão estremecida, à qual me esforcei por dar constante testemunhos de estranho amor e dedicação, durante mais de meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo os mais ardentes votos por sua grandeza e prosperidade”
Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1 889.
D. Pedro de Alcântara.
E, então, segue para o exílio o imperador, e com ele, meio século de história do Brasil Imperial. Estava, pois, Proclamada a República e voltavam as esperanças de se construir uma nova nação, dentro dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

Brasil pós Proclamação da República

A primeira República Brasileira, conhecida como República Velha (1.889/1930), foi dividida em dois período: a República da Espada (1889/1894), uma ditadura militar dos marechais Deodoro e Floriano Peixoto; e a República Oligárquica (1895/1930) onde predominava a política do café com leite, que favorecia os interesses do setor agrário: São Paulo produtor de café e Minas produtor de leite.
A Constituição de 1891, inspirada na Constituição dos Estados Unidos, preconizou de pronto um regime de governo presidencialista e adotou a designação oficial de Estado Unidos do Brasil.
Já na década de 1920, o Brasil enfrenta diversas rebeliões o que enfraqueceu o regime, e que permitiu a ascensão de Getúlio Vargas à Presidência, através de um golpe (1930/1945) e que a pretexto de proteger o país da intentona comunista, reforçou ainda mais os seus poderes com fechamento do Congresso Nacional e abolindo a Constituição, instaurando, assim, uma ditadura a que chamou de Estado Novo (46), concentrando todos os poderes, executivos e legislativos, nas mãos do presidentes da República.
Com a vitória dos aliados na segunda guerra mundial, ao lado do qual o Brasil se tinha colocado, e, consequentemente, o fim dos regimes nazi-fascistas na Europa, não obstante, precipitou a queda de Vargas.
Com a eleição do general Eurico Gaspar Dutra para presidente em 1946, inaugurou um período conhecido como República Nova ou Populista. Vargas volta novamente, porém desta vez democraticamente eleito, porém se suicidou em 1954. Vários governos provisórios se sucederam, até a eleição de Juscelino Kubitschek, em 1956. Inaugurando-se a nova Capital do Brasil, Brasília ( 1960). Em 1961 toma posse na presidência o vice-presidente João Goulart, quando foi instaurado o parlamentarismo no Brasil, porém, através de um plebiscito popular, volta o presidencialismo em 1963. No ano seguinte, novo golpe de estado, resultando num regime militar de característica ditatorial, conhecida como quinta república. Foram presidentes nesta época: Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.
Em 1985 os civis voltaram ao poder: José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique, Luis Inácio Lula, Dilma Rousseff e, atualmente, Michel Temer.

Goiânia, novembro de 2016.